Monday, May 15, 2017

o amor é a pedra fundamental do universo

Hoje um ladrão furtou o celular de uma senhora. O ladrão estava acompanhado de um pivetinho, de, no máximo, 5 anos. O ladrão fugiu e a população pegou apenas o pivetinho. A notícia boa é que a maior parte do grupo que pegou a criança viu que se tratava apenas de uma criança. Seguraram ele e esperaram a policia chegar. A notícia triste é que havia pessoas querendo espancar o menino. Adultos de 40, 50 anos, querendo machucar um criança de cinco anos, que sequer fora autor principal do roubo. Então percebo o que a violência faz ao brasileiro: estamos perdendo a essência humana. A face silenciosa da violência é que ela recruta nossas almas. Compaixão vira ódio, e o mundo passa a girar em torno da necessidade imediata por segurança. Precisamos de segurança, e quem ameaçá-la é considerado inimigo passível da pena de morte. As vezes, o ódio me alcança também, e temo por minha individualidade: tenho medo de virar mais um desalmado nesse mar de zumbis, pregando a mesma ideia intransigente de combater a violência através da violência. Como se picada de cobra se curasse com picada de cobra. O amor é a pedra fundamental do universo.

Friday, May 12, 2017

somos seres passageiros

A certeza de hoje é a dúvida do amanhã. O azul, que hoje fascina, amanhã é rosa. A música preferida cai no esquecimento, e outra melodia invade a mente. Alguns amigos de ontem agora já não o são mais. Amores vão, amores vem, inverno, primavera. Ídolos evaporam, outros se firmam, invertemos a opinião. Trocamos os quadros nas paredes, trocamos de paredes, corremos na imensidão. Somos seres passageiros; em vida.

Tuesday, May 09, 2017

coragem

La longe vi o sol brilhar. As montanhas distantes se agigantaram. A luz das nuvens trouxe cheiros de ventos espalhados. Pássaros cantarolavam poemas de navegantes eufóricos. A grama alta dançava. Abelhas. Vi-lhes as asas douradas, e o sabor de mel encheu de favas meu coração. A esperança é uma melodia sussurrada de trás para frente. Deixei meus lábios sonharem. Fiz um ramo de flores imaginário e o entreguei à saudade. A vida me sorriu numa paz há muito esquecida. Felicidade é assunto da coragem: você se pertence.

Tuesday, May 02, 2017

estrelas na imensidão do céu

Amor, ódio, amizade, desprezo, admiração, intolerância, raiva. Nossas emoções são essencialmente ligadas a outros seres humanos. Quando sentimos, na regra, sentimos algo por alguém. Amor pelo filho, raiva do vizinho, desprezo pelo marginal, admiração pelo ídolo. Mas o que sentimos por alguém nos diz absolutamente nada sobre esse alguém; diz-nos apenas algo sobre nós mesmos. Quando temos raiva do amigo, essa raiva não pertence ao amigo, ela é nossa. Essa raiva não nos conta uma história sobre o amigo, mas uma história sobre nós. Assim, as emoções são o espelho da própria alma. Nossos sentimentos por outros são a revelação de quem somos. Tolerar o próximo é viver em paz consigo. Perdoar é compreender as próprias limitações. Estrelas na imensidão do céu; vasto é meu coração.

Monday, March 06, 2017

o amor e as lágrimas

Ouço a palavra amor, e a imagem que vem a mente é de um rosto coberto por lágrimas. Não sei relacionar o amor a um casal feliz correndo pela grama verdejante. O amor, na minha concepção, é tão absoluto que a felicidade não o alcança. É um pássaro no invisível. É o beijo prisioneiro dos próprios lábios. É a luz da caixa de som no quarto escuro. É o vento que se espreme pela fresta da janela. É o barulho da chuva no vidro. É a árvore que suporta a tempestade. É o senhor com dificuldade de se erguer do banco da praça. É a chamada perdida no telefone. O amor é a corrida contra todos, inclusive contra nós mesmos. É a grandeza do impossível. É a lembrança daquilo que não aconteceu. É o abismo da razão. Na solidão da alma, as lágrimas são verdadeiras, e o sorriso engana. Ouço o galope dum cavalo numa estrada de terra batida. Abro os olhos, está escuro: à noite, eu me pertenço.

Saturday, February 18, 2017

apenas ser e nada mais

Ser feliz, ser persistente, ser independente, ser diferente, ser amável, ser gentil, ser forte, ser tolerante. Há tantas regras, conselhos e ditados de como se deve ser, que esse “ter de ser” esgota a alma. Que tal apenas e simplesmente ser? Sem adjetivo: ser. E nada mais.

Saturday, February 11, 2017

quero me perder de novo

Hoje eu me perdi e não me reencontrei. Para ser sincero, não quis me reencontrar. Desejei somente vagar por meu mundo paralelo em que o dia a dia não sabe me importunar. Onde as flores nascem de cabeça para baixo e os pássaros se calam curiosos. Aqui a noite é eterna, desde que eu não vá dormir. Fecho os olhos e sinto que não sinto. Abro a geladeira e nada retiro. Releio alguns trechos de textos que me agradam e finjo que as palavras são minhas. Imagino o sol nascendo e o despertador quebrado. Imagino alguém entrando no meu quarto e encontrando a cama vazia. O sono se aproxima, eu reluto, mesmo sabendo que terei de acordar cedo. Penso em algo que me foge. Por fim, adormeço. Desperto de manhã no reencontro com o compromisso. Estou com muito sono, mas sem arrependimentos. À noite, quero me perder de novo.